Não há trilha...
E do trilho
A emoção me descarrilha
Só ouço
O ranger do osso
E me faço o esboço do cão na matilha
Rumo à nova idade
A maternidade me traz pra essa ilha
Em que me isolo
Muita água, sal
E muito pouco solo
Sem firmeza ou fibra
Sigo na espera
Que um sinal de fogo ou grito de outra filha
Traga-me de volta aquela:
O ser que mais brilha
Me salvou da vida ou quiçá da morte
E só mais isso:
Um norte
É o que peço a ela!
quarta-feira, 25 de junho de 2014
segunda-feira, 23 de junho de 2014
Viva!
Não basta só ver o tempo passar
Tem que se estar, sentir, vivenciar
Se o barco corre solto e o vento leva
A vida é o labirinto em que navega
Se o sopro num instante leva além
Não cabe a nós pensar que não convém
Mas sim dar nosso jeito, pela trilha
De sermos, na chegada, algo que brilha
Reluza, faça, crie, transpareça
A essência que, na vida é o que interessa
Pois se deixar pr'outra oportunidade
Talvez sobre, do que não foi, saudade
A vida é mais um jogo de revés e sorte
Portanto viva muito até a morte
Tem que se estar, sentir, vivenciar
Se o barco corre solto e o vento leva
A vida é o labirinto em que navega
Se o sopro num instante leva além
Não cabe a nós pensar que não convém
Mas sim dar nosso jeito, pela trilha
De sermos, na chegada, algo que brilha
Reluza, faça, crie, transpareça
A essência que, na vida é o que interessa
Pois se deixar pr'outra oportunidade
Talvez sobre, do que não foi, saudade
A vida é mais um jogo de revés e sorte
Portanto viva muito até a morte
terça-feira, 20 de maio de 2014
Sem forro, com fé
Num breve pulsar
Da veia ao pescoço
Percebo que falta
Um bocado de ar
Me faz sentir alta
A temperatura
E a carne qual o osso
Tão rija, tão dura
Os nervos não negam
A tensão do corpo
Atento e inerte
Dos pés à cabeça
Me sinto entregue
E antes que aconteça
A prévia do gozo
Me faz inebriar
Me deixa pôr tudo
Em cena, no jogo
Sem tempo, nem onde
Sem forro, com fé
Me faz vagabundo
Sem pressa no coito
Me parta em mil homens
Pra te ver mulher
Da veia ao pescoço
Percebo que falta
Um bocado de ar
Me faz sentir alta
A temperatura
E a carne qual o osso
Tão rija, tão dura
Os nervos não negam
A tensão do corpo
Atento e inerte
Dos pés à cabeça
Me sinto entregue
E antes que aconteça
A prévia do gozo
Me faz inebriar
Me deixa pôr tudo
Em cena, no jogo
Sem tempo, nem onde
Sem forro, com fé
Me faz vagabundo
Sem pressa no coito
Me parta em mil homens
Pra te ver mulher
quinta-feira, 13 de março de 2014
Pouca intuição
Preconcebo sua pouca intuição
Instalada na fachada de um olhar
Se percebes, ao passar de um furacão
A delícia e a dor de se apresentar
Pode ser que percas muito com o refrão
Se o repetes ao invés de visitar
Outra estrofe ou outro verso da canção
Que igualmente há de se perpetuar
Quando julgas ao meu ser com seu padrão
Valho menos e isso muito me transtorna
E quem perde? Quem será? Me diga então
Se não pagas pra me ver em plena forma
Pois formada já está sua opinião
E somente a vida há de modificar
Com a dor, quem sabe um dia, de um irmão
Ela possa te fazer se transformar
Rap incidental:
Sabe o momento...
Em que alguém te olha de cima embaixo?
E você se sente um capacho... pisado
E o gozado é que o outro se acha... eu acho
Bem melhor mas não passa de um despacho...
De encruzilhada
Armado só pra te botar pra baixo
Mas isso prova que você não sabe nada
Pois de baixo se emerge, meu camarada
Me lembro bem de quando eu saí de casa
Me botaram logo pra bater minhas asas
Quando acharam que eu ia sair do armário
Um bando de otário
Pois se eu abro as asas posso acolher
Mas não ao pobre proletário que é você
Não se iluda com a minha proteção
Pois só faço a quem merecer
Instalada na fachada de um olhar
Se percebes, ao passar de um furacão
A delícia e a dor de se apresentar
Pode ser que percas muito com o refrão
Se o repetes ao invés de visitar
Outra estrofe ou outro verso da canção
Que igualmente há de se perpetuar
Quando julgas ao meu ser com seu padrão
Valho menos e isso muito me transtorna
E quem perde? Quem será? Me diga então
Se não pagas pra me ver em plena forma
Pois formada já está sua opinião
E somente a vida há de modificar
Com a dor, quem sabe um dia, de um irmão
Ela possa te fazer se transformar
Rap incidental:
Sabe o momento...
Em que alguém te olha de cima embaixo?
E você se sente um capacho... pisado
E o gozado é que o outro se acha... eu acho
Bem melhor mas não passa de um despacho...
De encruzilhada
Armado só pra te botar pra baixo
Mas isso prova que você não sabe nada
Pois de baixo se emerge, meu camarada
Me lembro bem de quando eu saí de casa
Me botaram logo pra bater minhas asas
Quando acharam que eu ia sair do armário
Um bando de otário
Pois se eu abro as asas posso acolher
Mas não ao pobre proletário que é você
Não se iluda com a minha proteção
Pois só faço a quem merecer
quinta-feira, 26 de dezembro de 2013
Noite feliz?
Tudo verde e vermelho
A "cidade" a brilhar
Mas me olho no espelho
E me ponho a imaginar
Do outro lado do rio
Como devem estar
Os que como coelho
Fazem a vida brotar
Tamanho destrambelho
E o pentelho a chorar
Faz com que outra sina
Venha a se anunciar
Pode ser um conselho
De Deus, um penejar
Uma ovelha, um cordeiro
Vindo pra nos salvar
Jesus, José, João
Ou mais um cão a ladrar
Ladrão ou mensageiro
Da morte pra preservar
O equilíbrio no bueiro
Pois não tem onde estar
O filho do pedreiro
Que à "cidade" fez levantar
A "cidade" a brilhar
Mas me olho no espelho
E me ponho a imaginar
Do outro lado do rio
Como devem estar
Os que como coelho
Fazem a vida brotar
Tamanho destrambelho
E o pentelho a chorar
Faz com que outra sina
Venha a se anunciar
Pode ser um conselho
De Deus, um penejar
Uma ovelha, um cordeiro
Vindo pra nos salvar
Jesus, José, João
Ou mais um cão a ladrar
Ladrão ou mensageiro
Da morte pra preservar
O equilíbrio no bueiro
Pois não tem onde estar
O filho do pedreiro
Que à "cidade" fez levantar
segunda-feira, 2 de dezembro de 2013
Sou o samba
Sou brisa, sou vendaval
Sou calma, sou euforia
Sou up, sou meio down
Sou tristeza e alegria
Sou de todos e só seu
Sou tempo, sou correria
Sou luz e também o breu
Sou prosa, sou poesia
Sou árvore, sou semente
Sou pedra e sou papel
Sou foz e também nascente
Sou Cartola, sou Noel
Sou discreto e dou bandeira
Sou mártir e sou cruel
Sou Nelson de Mangueira
Martinho de Vila Isabel
Sou flor e também espinho
Sou corda e sou caçamba
Sou violão, cavaquinho
Sou firme e da corda bamba
Sou àspero, sou mansinho
Sou dúvida e decisão
Sou choro, sou brasileirinho
Sou canção, sou o samba
Sou calma, sou euforia
Sou up, sou meio down
Sou tristeza e alegria
Sou de todos e só seu
Sou tempo, sou correria
Sou luz e também o breu
Sou prosa, sou poesia
Sou árvore, sou semente
Sou pedra e sou papel
Sou foz e também nascente
Sou Cartola, sou Noel
Sou discreto e dou bandeira
Sou mártir e sou cruel
Sou Nelson de Mangueira
Martinho de Vila Isabel
Sou flor e também espinho
Sou corda e sou caçamba
Sou violão, cavaquinho
Sou firme e da corda bamba
Sou àspero, sou mansinho
Sou dúvida e decisão
Sou choro, sou brasileirinho
Sou canção, sou o samba
quinta-feira, 23 de maio de 2013
Fio de vida
Como num leve tecer
Deus nos uniu nessa vida
Que num breve amanhecer
Vai da chegada à partida
Mas se o que resta é coser
Os fios numa invernada
Faz-se então preciso crer
Que, com o passar da boiada
Vai-se de novo aquecer
Os filhos, na companhia
Da mãe que há de endurecer
Seus passos na caminhada
Abre-se, então, precedente
Pra que se tome cuidado
E ame-se mais cada ente
Independente do estado
Em que se encontra, na vida
Essa pessoa encarnada
Pois que podem, da partida
Recomeçar, na chegada
Os novos passos da vida
Na mesma letal estrada
Deus nos uniu nessa vida
Que num breve amanhecer
Vai da chegada à partida
Mas se o que resta é coser
Os fios numa invernada
Faz-se então preciso crer
Que, com o passar da boiada
Vai-se de novo aquecer
Os filhos, na companhia
Da mãe que há de endurecer
Seus passos na caminhada
Abre-se, então, precedente
Pra que se tome cuidado
E ame-se mais cada ente
Independente do estado
Em que se encontra, na vida
Essa pessoa encarnada
Pois que podem, da partida
Recomeçar, na chegada
Os novos passos da vida
Na mesma letal estrada
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