quinta-feira, 26 de fevereiro de 2015

Como é bom morrer de amor

Como é bom morrer de amor
De morte matada por alguém
Através de um sentimento
Que, no fim
Sempre convém

Quanto à dor?
Também é bom senti-la
Atestando sua vida
Ainda que, caso te mate
Alguns dirão:
- Sofreu atoa

Pobres os que dizem
E não sentem
Esses morrem secos
Pra si próprios, sempre mentem

Triste, eu lhe digo
E no pior sentido da palavra
Porque a tristeza também é boa, é abrigo
Triste é quando se morre sem amor

Triste, meu amigo
É quando no laudo do doutor
Consta a causa mortis:
"Morreu sem amar"

De morte morrida
Sem amor não houve vida
Afogou-se
Sem nadar

quinta-feira, 29 de janeiro de 2015

A saia...

A saia
Se mostra a cena
Como acenasse
A posta ceia
Anseia
Que sintas pena?
Ou senta
E dá pinta, alheia?

Alheia
A todos que olham
Ou molham
O períneo
À vera
Quer que invada-se
O seu espaço
Ou escaço se faça
Pudera
O tesão
De quem sacia
O cio
Enquanto espera

quarta-feira, 31 de dezembro de 2014

A quem quer, que seja

A quem é de crença
Que o ano seja divino
A quem é de frequência
Que vibre sem desafino
A quem é de guerra por guerra
Que a paz aponte um caminho
A quem é da terra, que o mundo
Seja (um) bem mais protegido

A quem é do bem
Segue a valsa
A quem é do mal
Cegue a balsa

A quem vi aquém, sirva o trem
A quem vai além, espere então
A quem tem esperança
Confie no sim e no não
Aquele que em nada crê
Respire o ar que não pode ver
Aquele que crê no progresso
Que suba um degrau para o sucesso
A quem quer ter um ano novo
Que o passado se dissolva
Mas sua verdade seja posta à prova
Lembrando tudo que passou
Quando o mundo fez completar sua volta
No Sol que agora raiou

terça-feira, 23 de dezembro de 2014

Dois mil e catarse

Purgação ou purificação
Não sei não
Só sei que foi assim

E esse ano chega ao fim
Pra provar que dá pra ser
Mesmo que o essencial
Tenha fugido de mim

Vem à tona
Ao fim da história
Uma glória
Ainda que temporã

E no afã de que aconteça
Passo o tempo e, na cabeça
A distração faz que eu me esqueça
Desse lastro, até amanhã

No compasso desse ritmo
Bem mais que acelerado
Cresce ainda, lado a lado
Outro coração que aquece

Quando faz calor transborda
De emoção
E quando acorda
Com um sorriso
Me enlouquece

Cato os cacos
Me refaço
Dia a dia, a cada passo
Desse dois mil e catarse

Nunca é tarde
Recomeço
E ao nascer de um ano, peço
Que melhor venha
Ao raiar-se

quarta-feira, 10 de dezembro de 2014

Só aqui cabe sonhar

Não posso sustentar um sentimento
Sem tê-la junto a mim num só momento
Nem quero mais me ver ante ao entrave de partir
Quando estar juntos é o melhor pra nós

Não dá mais pra viver vendo o meu tempo correr
Longe de ti me descontento
E tento prosseguir e ao coração não deixo a voz
Mas é inútil o instinto eu reprimir

Se é pra ficar tão longe eu te abdico
Pratico o desapego e muito aflito
Acabo descobrindo que outro empasse então se faz
Pois mesmo longe eu te quero mais

O que não cabe aqui é a distancia
Me aproximar é a melhor providencia
E no que mudo tudo: Lida e leito, pleito e lar
Percebo: Só aqui cabe sonhar

terça-feira, 16 de setembro de 2014

O maior...

O maior medo
É aquele que anda em segredo
Não se diz, sequer pra si mesmo
Por medo de, cedo, se expor

A maior fuga
É a que vive quente, rubra
Ardente e soturna
Por dentro da gente
Corrói qual veneno
Torpor

O maior trauma
É o que vive no verso da alma
Mas faz-te cavalo na fauna
Dos tempos vividos com dor

O maior desgosto
Pode fazer
Do lado oposto
O mal exposto no teu rosto
Ir do personagem
Ao ator

O maior risco
Faz-te uma lesão no menisco
Se mesmo em ranhura e chapisco
Não rompe o muro, seu trator

O maior remédio
É de todos
O mais sublime assédio
Mas faz-se parecer tão médio
Réu
Cego no abismo
É o amor

terça-feira, 12 de agosto de 2014

Naquela tarde de inverno

Naquela tarde de inverno
Eu pude sentir o vento
E senti de um jeito
Que já não sentia há muito tempo
Seria o uivar da morte
Ou seria um alento?
Acho que ambos, por sorte
Visto que o que havia dentro
De cada um de nós
Era a certeza de que, no intento
De nunca deixar-nos sós
Te acumulava o sofrimento

Sê como mãe, tia ou avó
Você era puro amor, carinho
Mesmo quando nos deixava
Num canto a chorar sozinhos
Noutro, de certo, a orar estava
Pra que aprendêssemos na dor
A seguir o melhor caminho
Ver belo o espinho da flor

E assim te deixamos ir
Concedemos sua alforria
Ainda que haja o pavor
De não mais te ver
Um dia?

Sabemos que todo o amor
Que construímos a cada gesto
Trará em cada memória
Sua presença pra bem perto
De certo, dessa maneira
Você nunca há de morrer
Pois quem planta o bem, semeia
O eterno bem querer